Quanto custa um filho

E por que a maioria dos pais não sabe responder

Segundo o Insper, com base em dados do IBGE, criar um filho até os 18 anos no Brasil custa entre R$ 480 mil e R$ 1,2 milhão para famílias de classe C. Na classe A, passa de R$ 3,6 milhões. Na D, começa em R$ 240 mil.

Trinta por cento da renda familiar. É isso que vai para o filho, em média.

Mas média é média. E média mente.

O que se esconde por trás da média

Bebê: fraldas a R$ 200 por mês, fórmula infantil, roupinhas que duram dois meses, berço, carrinho, cadeirinha. O primeiro ano custa cerca de R$ 16 mil. E pega todo mundo de surpresa.

Criança (3 a 5 anos): escolinha, uniforme, material pedagógico, brinquedos, atividades. Custo mensal pode chegar a R$ 3.500. Escola particular? De R$ 450 a R$ 2.000 por mês, dependendo do estado e da proposta.

Fundamental (6 a 12 anos): transporte escolar, roupas, calçados, material, atividades extracurriculares. Até R$ 4.000 por mês.

Adolescente: celular, computador, cursinho pré-vestibular, lazer, roupas de marca. Facilmente R$ 5.000 por mês ou mais.

Faculdade: se for particular, de R$ 850 a R$ 8.000 por mês. Fora livros, transporte, alimentação. E se o filho precisar sair de casa? Aluguel, conta de luz, mercado.

Agora divide tudo isso em dois

Quando os pais moram juntos, é um orçamento só. Quando se separam, são dois. E aí começa a conta que ninguém quer fazer.

O juiz fixa a pensão alimentícia. Em geral, entre 15% e 30% da renda líquida. Com o salário mínimo de R$ 1.518 em 2025, 30% dá R$ 455,40. Para quem ganha R$ 3.000, a pensão fica entre R$ 450 e R$ 900.

Mas a pensão não cobre tudo.

Aparelho ortodôntico: R$ 3.000 a R$ 6.000. Óculos: R$ 400. Material escolar em fevereiro: R$ 500. Uniforme novo: R$ 300. Excursão da escola: R$ 150.

Esses são gastos extraordinários. E conforme o artigo 1.707 do Código Civil, não podem ser compensados com a pensão. São divididos entre os pais. Às vezes por acordo. Às vezes por decisão judicial.

Alguém precisa registrar.

O problema não é o valor. É que ninguém sabe o valor.

Pergunta para um pai ou mãe separado: "Quanto você gastou com seu filho nos últimos seis meses?"

A resposta vai ser: "Muito." Ou: "Não sei exatamente." Ou: "Mais do que o outro pensa."

Ninguém sabe. Porque ninguém anota.

E quando ninguém anota, começa a briga. Não por números. Por sensações. "Eu pago tudo." "Isso não é verdade." "Então prova."

Em grupos de mães no Facebook e no WhatsApp, centenas de posts com a mesma dúvida: como provar o que eu gastei? Print de Pix. Foto de nota fiscal. Extrato do cartão.

Porque não existe um número que os dois concordam.

A Justiça quer dados, não sentimentos

Quando chega a hora de revisar a pensão alimentícia, o juiz pergunta: quais são os gastos reais com a criança?

Alimentação, moradia, vestuário, saúde, educação, transporte, lazer, cuidados pessoais. Tudo.

Advogados de família recomendam juntar comprovantes, notas fiscais e recibos. Quanto mais detalhe, melhor.

Mas quem vai reconstruir doze meses de gastos a partir de Pix, prints e memória?

Quem registra desde o início tem a resposta na hora.

R$ 2.200 por mês é uma média. O seu mês é específico.

A média não sabe que em fevereiro você pagou R$ 500 de material escolar, em maio R$ 400 de óculos, e em agosto R$ 300 de uniforme. Tudo além do normal.

Média é estatística. Seu orçamento é realidade. E realidade não se gerencia com média.

Quando você tem os seus números — números reais — você sabe:

  • quanto gastou neste mês
  • quanto foi dividido
  • quanto cada pai pagou
  • qual é o saldo

E quando os dois sabem disso, não tem o que adivinhar.

No fim das contas

Filho custa dinheiro. Quanto exatamente, depende do mês, da idade, da situação. O Insper fala em R$ 480 mil a R$ 1,2 milhão para classe C. A realidade muda a cada boleto.

Se você não registra, chuta. Se chuta, discute. E discussão vira conflito.

Registrar não é controlar. É ter uma resposta para uma pergunta que, sem dados, ninguém consegue responder.

Simples. Claro. Direto.